terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Encontro de dois - (Jacob Levy Moreno)


Hoje compartilho com vocês um pouco da beleza do encontro da Psicanálise e do Teatro na poética do criador do Psicodrama, da Sociometria e da Psicoterapia de Grupo, Jacob Levy Moreno.






O poema Encontro de Dois (1914-1915) que com muito carinho trago aqui no afeto expresso pode ser encontrado no livro de René Marineu, autor da biografia publicada em três partes de - Jacob Levy Moreno 1889-1974, localizada logo na sua segunda parte.Este poema haveria de tornar-se o lema do Psicodrama Moreniano;O homem que na sua vida adulta,declara que já na infância aos 05 anos de idade junto com amigos, inventou a "brincadeira de deus'; nasce assim o primeiro modelo de Psicodrama, nessa brincadeira, ele e várias outras crianças entre personagens respectivos de "deus"e seus "anjos", faziam a seguinte representação: - (Moreno) sentado no "trono de deus" do alto de uma cadeira em cima de caixotes empilhados, (seus amigos) no solo, um deles o "anjo" diz a ele que voe, ele atende e acaba caindo no chão fraturando o braço direito; este modelo de experiência/lúdica vivida por Moreno é muito comum nas representações infantis, e a posteriori seria a base construtiva do seu método. Aos que desejarem, depois do poema tem um pouco mais de informações sobre o Psicodrama. 


      

Encontro de dois

Mais importante que a ciência, é o que ela produz
Uma resposta provoca uma centena de perguntas
Mais importante do que a poesia, é o que ela produz
Um poema invoca uma centena de atos heroicos.
Mais importante do que o reconhecimento, é o que ele produz dor e culpa.
Mais importante do que a procriação é a criança.
Mais importante do que a evolução da criança é a evolução do criador
                        Em lugar dos passos imperiais, o imperador
Em lugar dos passos criativos, o criador
Um encontro de dois: olhos nos olhos, face a face
                                                                          e quando você estiver perto arrancarei seus olhos
                                                                         e os colocarei no lugar dos meus
                                                                       arrancarei meus olhos
                                                                          e os colocarei no lugar dos seus
                                                                         então verei você com seus olhos
                                                                          e você me verá com meus olhos
                                                                         Então até a coisa mais comum servirá ao silencio e
                                                                        nosso encontro permanecerá meta sem cadeias
                                                                        Um lugar indeterminado, num tempo indeterminado
                                                        Uma palavra indeterminada para um homem indeterminado



               

                   Um pouco sobre JACOB LEVY MORENO 1889-1974por Sedes Sapientiae

                                                       Foto: Google imagens

O Psicodrama é um método de ação profunda e transformadora, que trabalha tanto as relações interpessoais como as ideologias particulares e coletivas que as sustentam. Sua aplicação é uma das mais eficientes e criativas nos campos da saúde, da educação, das organizações e dos projetos sociais. É orientado pela emoção, pelo grupo e pela co criação, pois busca promover estados espontâneos, discriminar e integrar, com certa harmonia, o individual com o coletivo, o mundo interno com a realidade compartilhada. Produz catarse emocional e insights cognitivos. Para isso, usa tanto a comunicação verbal como a não verbal. Nasceu do Teatro de Improviso. Foi criado por Jacob Levy Moreno (1889-1974) um psiquiatra romeno que viveu na Áustria e nos Estados Unidos. Em 1925 ele fundou o Teatro da Espontaneidade, no qual, ousadamente, convidava o público a criar sua própria história, teatralizando-a de forma espontânea, no melhor estilo dos espetáculos da Commedia dell’Arte realizado, no séc. XVII, nas ruas da Itália multifacetada e rica em dialetos da época.
Opera em um palco ou cenário (o lugar da ação dramática) com um protagonista, (indivíduo ou grupo), que catalisa o foco da ação. O coordenador dos trabalhos e diretor da ação dramática pode ser auxiliado por outros profissionais, chamados egos auxiliares, que têm por principais funções: encarnar pessoas ausentes importantes na estruturação dos conflitos, assumir o lugar do cliente, explicitar sentimentos ocultos, criar novas ressonâncias e contrapontos às experiências causadoras de sofrimento. Tal método de ação encena histórias, encarna personagens internos ou míticos, desenvolve enredos, cria realidades suplementares. No aqui e agora são representadas cenas que podem retratar lembranças do passado, situações vividas de maneira incompleta, conflitos, sonhos, e até, formas de lidar adequadamente com acontecimentos futuros. Ficam evidentes modos singulares de ser, sentidos sociais e culturais do vivido, que podem ser transformados. Os termos protagonista, solilóquio, cena, cenário, diretor, papel mostram não só a origem teatral do Psicodrama, como também a permanência intrínseca da possibilidade revolucionária e popular das Artes Cênicas no centro da intervenção psicodramática. Com a diferença que no Psicodrama o resultado estético pode ser bom, mas não deve orientar o processo, como acontece no teatro convencional.

Com todo afeto expresso, obrigada!

http://www.sedes.org.br/Departamentos/Psicodrama/sobre_o_psicodrama.htm


quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Eu, você e a transitoriedade


Outro dia em minha casa durante a tarefa de organizar livros e descartar velhos materiais, reencontrei entre eles a cópia de um texto maravilhoso escrito por Freud em (1915), pouco conhecido, mas não menos interessante e que tem o seguinte título Sobre a Transitoriedade.  Não recordo bem meu objetivo quando fiz a primeira leitura, outrossim reler este texto me transportou a um novo sentido. 

Para situá-los a respeito; em síntese, o texto de Freud é a narrativa de uma caminhada entre campos onde Freud acompanhado de dois amigos  contemplavam a natureza e entre uma conversa e outra Freud detém sua atenção ao comportamento de um dos amigos que, apesar de admirar a beleza ao seu redor, não absorvia qualquer alegria daquele instante, ao invés de encanto o que ele sentia era o medo da perda, ou seja, para ele de nada adiantaria alegrar-se com a beleza daquele cenário uma vez que ela acabaria. 

De certo, o texto amarra-se na transitoriedade do belo, ali, Freud destaca que sem a certeza da finitude, não daríamos valor a beleza do que somos e temos.   Não demorou muito para que neste mesmo texto Freud concluísse, que a tristeza do seu amigo na realidade, não se restringia a “morte da beleza” era um luto pela morte do que amamos, e portanto, belo ao nosso olhar.

Ao concluir a releitura, pensei nas diversas situações nas quais contemplamos e nos afastamos do que é amável e redobramos nossa vigilância com aquilo e aqueles que apreciamos, mas, não criamos elos, vínculos ou afeições, pois esta ação traz consigo a nossa percepção ilusória de infinitude, deixando de lado a vivência do real, que basicamente é o início, meio e fim. Sem os vínculos acreditamos que nada é transitório, portanto congelamos uma experiência de vida, hesitamos em cuidar/amar um bichinho de estimação, estamos frouxamente ligados uns aos outros e atribuímos a isto a falta de tempo, procrastinamos os sonhos, desejos e projetos de vida, buscamos fórmulas de juventude eterna, não enxergamos quem somos “de verdade” e assim  como o jovem amigo de Freud desacreditamos na beleza de viver a transitoriedade de cada dia.  
Por saber que vale muito a pena a leitura deste texto maravilhoso, compartilho com vocês na íntegra.


Com todo afeto expresso!

[Sobre a Transitoriedade (1915) – Freud] 

Não faz muito tempo empreendi, num dia de verão, uma caminhada através de campos sorridentes na companhia de um amigo taciturno e de um poeta jovem mas já famoso. O poeta admirava a beleza do cenário à nossa volta, mas não extraia disso qualquer alegria. Perturbava-o o pensamento de que toda aquela beleza estava fadada à extinção, de que desapareceria quando sobreviesse o inverno, como toda a beleza humana e toda a beleza e esplendor que os homens criaram ou poderão criar. Tudo aquilo que, em outra circunstância, ele teria amado e admirado, pareceu-lhe despojado de seu valor por estar fadado à transitoriedade.


A propensão de tudo que é belo e perfeito à decadência, pode, como sabemos, dar margem a dois impulsos diferentes na mente. Um leva ao penoso desalento sentido pelo jovem poeta, ao passo que o outro conduz à rebelião contra o fato consumado. Não! É impossível que toda essa beleza da Natureza e da Arte, do mundo de nossas sensações e do mundo externo, realmente venha a se desfazer e nada. Seria por demais insensato, por demais pretensioso acreditar nisso. De uma maneira ou de outra essa beleza deve ser capaz de persistir e de escapar a todos os poderes de destruição. Mas essa exigência de imortalidade, por ser tão obviamente um produto dos nossos desejos, não pode reivindicar seu direito à realidade; o que é penoso pode, não obstante, ser verdadeiro. Não vi como discutir a transitoriedade de todas as coisas, nem pude insistir numa exceção em favor do que é belo e perfeito. Não deixei, porém, de discutir o ponto de vista pessimista do poeta de que a transitoriedade do que é belo implica uma perda de seu valor. 


Pelo contrário, implica um aumento! O valor da transitoriedade é o valor da escassez no tempo. A limitação da possibilidade de uma fruição eleva o valor dessa fruição. Era incompreensível, declarei, que o pensamento sobre a transitoriedade da beleza interferisse na alegria que dela derivamos. Quanto à beleza da Natureza, cada vez que é destruída pelo inverno, retorna no ano seguinte, do modo que, em relação à duração de nossas vidas, ela pode de fato ser considerada eterna. A beleza da forma e da face humana desaparece para sempre no decorrer de nossas próprias vidas; sua evanescência, porém, apenas lhes empresta renovado encanto. Uma flor que dura apenas uma noite nem por isso nos parece menos bela. Tampouco posso compreender melhor porque a beleza e a perfeição de uma obra de arte ou de uma realização intelectual deveriam perder seu valor devido à sua limitação temporal. Realmente, talvez chegue o dia em que os quadros e estátuas que hoje admiramos venham a ficar reduzidos a pó, ou que nos possa suceder uma raça de homens que venha a não mais compreender as obras de nossos poetas e pensadores, ou talvez até mesmo sobrevenha uma era geológica na qual cesse toda a vida animada sobre a terra; visto, contudo, que o valor de toda essa beleza e perfeição é determinado somente por sua significação para nossa própria vida emocional, não precisa sobreviver a nós, independendo, portanto, da duração absoluta. 


Essas considerações me parecem incontestáveis, mas observei que não causara impressão quer no poeta quer em meu amigo. Meu fracasso levou-me a inferir que algum fator emocional poderoso se achava em ação, perturbando-lhes o discernimento, e acreditei, depois, ter descoberto o que era. O que lhes estragou a fruição da beleza deve ter sido uma revolta em suas mentes contra o luto. A ideia de que toda essa beleza era transitória comunicou a esses dois espíritos sensíveis uma antecipação de luto pela morte dessa mesma beleza; e, como a mente instintivamente recua de algo que é penoso, sentiram que em sua fruição de beleza interferiam pensamentos sobre sua transitoriedade. 


O luto pela perda de algo que amamos ou admiramos se afigura tão natural ao leigo, que ele o considera evidente por si mesmo. Para os psicólogos, porém, o luto constitui um grande enigma, um daqueles fenômenos que por si sós não podem ser explicados, mas a partir dos quais podem ser rastreadas outras obscuridades. Possuímos, segundo parece, certa dose de capacidade para o amor - que denominamos de libido - que nas etapas iniciais do desenvolvimento é dirigido no sentido de nosso próprio ego. Depois, embora ainda numa época muito inicial, essa libido é desviada do ego para objetos, que são assim, num certo sentido, levados para nosso ego. Se os objetos forem destruídos ou se ficarem perdidos para nós, nossa capacidade para o amor (nossa libido) será uma vez liberada e poderá então ou substituí-los por outros objetos ou retornar temporariamente para o ego, mas permanece um mistério para nós o motivo pelo qual esse desligamento da libido de seus objetos deve constituir um processo tão penoso, até agora não fomos capazes de formular qualquer hipótese para explicá-lo. vemos apenas que a libido se apega a seus objetos e não renuncia àqueles que se perderam, mesmo quando um substituto se acha bem à mão. Assim é o luto.

Minha palestra com o poeta ocorreu no verão antes da guerra. Um ano depois irrompeu o conflito que lhe subtraiu o mundo das belezas. Não só destruiu a beleza dos campos que atravessava e as obras de arte que encontrava em seu caminho, como também destroçou nosso orgulho pelas realizações de nossa civilização, nossa admiração por numerosos filósofos e artistas, e nossas esperanças quanto a um triunfo final sobre as divergências entre as nações e as raças. Maculou a elevada imparcialidade da nossa ciência, revelou nossos instintos em toda a sua nudez e soltou de dentro de nós os maus espíritos que jugávamos terem sido domados para sempre, por séculos de ininterrupta educação pelas mais nobres mentes. Amesquinhou mais uma vez nosso país e tornou o resto do mundo bastante remoto. Roubou-nos do muito que amáramos e mostrou-nos quão efêmeras eram inúmeras coisas que consideráramos imutáveis.

Não pode surpreender-nos o fato de que nossa libido, assim provada de tantos dos seus objetos, se tenha apegado com intensidade ainda maior ao que nos sobrou, que o amor pela nossa pátria, nossa afeição pelos que se acham mais próximos de nós e nosso orgulho pelo que nos é comum, subitamente se tenham tornado mais vigorosos. Contudo, será que aqueles outros bens, que agora perdemos, realmente deixaram de ter qualquer valor para nós por se revelarem tão perecíveis e tão sem resistência? Isso parece ser o caso de muitos de nós; só que, na minha opinião, mais uma vez, erradamente. 
Creio que aqueles que pensam assim, e parecem prontos a aceitar uma renúncia permanente porque o que era precioso revelou não ser duradouro, encontram-se simplesmente num estado de luto pelo que se perdeu. O luto, como sabemos, por mais doloroso que possa ser, chega a um fim espontâneo. Quando renunciou a tudo o que foi perdido, então consumiu-se a si próprio, e nossa libido fica mais uma vez livre (enquanto ainda formos jovens e ativos) para substituir os objetos perdidos por novos igualmente, ou ainda mais, preciosos. É de esperar que isso também seja verdade em relação às perdas causadas pela presente guerra. Quando o luto tiver terminado, verificar-se-á que o alto conceito em que tínhamos as riquezas da civilização nada perdeu com a descoberta de sua fragilidade. Reconstruiremos tudo o que a guerra destruiu, e talvez em terreno mais firme e de forma mais duradoura do que antes._________FREUD, Sigmund. Sobre a Transitoriedade. In: Obras Psicológicas Completas: edição standard brasileira. Volume XIV – A história do movimento psicanalítico, artigos sobre a metapsicologia e outros trabalhos (1914-1916), pág. 313-319.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

O NÃO TEM RÓTULOS

Olá leitores (as) generosos (as)! Saudades de expressar afeto por aqui... 

Retomando a escrita hoje e com a bagagem cheia depois deste pequeno hiato eu muito pensei sobre o fio condutor deste texto, e de uma conversa com um querido amigo, o fiozinho surgiu, mas faz dias que fico pensando por onde começar. A inquietação que ia e vinha finalmente se foi, após uma atividade de trabalho. Pronto! Desatei o nó...

Pois bem, numa rápida leitura das linhas da nossa atividade percebemos um “descuido de digitação”, a frase original deveria ter a seguinte redação O amor não tem rótulos, mas foi à falta da palavra amor que chamou nossa atenção, até brinquei falando assim: - Isso é ato falho! E completei: escreve uma música sobre isso...

Mas o insight, porém, foi retardatário...horas depois, já em minha casa, pensei: - é isso! Vou dedicar meu texto aos NÃOS da vida; Então amigo, tô usando o seu“descuido” valeu !!

Com quantos NÃOS se constrói um rótulo? Um monte deles; NÃO conhecer, NÃO perceber, NÃO permitir, NÃO SE permitir, NÃO acreditar em si ou no outro, NÃO compreender, NÃO poder, NÃO realizar, NÃOS que por aí vão...

O NÃO tem grande importância e relevância em certas circunstâncias de nosso desenvolvimento humano, ele pode ser educativo, protetivo, e embasado de boas colocações, todavia quando o não saí deste campo, ele restringe, tolhe e nega pura e simplesmente. Vejam os nãos da intolerância, da reprodução distorcida, dos estigmas, da ausência de conhecimento; eles promovem um estrago silencioso e imenso, o NÃO dizer é muito pior, a plateia que não se manifesta não dá o tom do espetáculo.

Vivenciamos momentos históricos em nosso País nestes últimos dias, destes, dois me chamaram a atenção; o primeiro trata de uma fala recorrente de alguns parlamentares de nosso País que comparavam suas “posturas horrendas” a comportamentos de loucos em um “hospício”; o segundo diz da gratidão de vários atletas brasileiros que durante as olimpíadas atribuíram aos seus respectivos/as profissionais de Psicologia os ganhos do equilíbrio emocional como êxito no alcance de suas metas.

Porque falo deste lugar? De acordo com dados do Conselho Federal de Psicologia de 29 de agosto de 2016, somos um total de 280.762 psicólogas (os) no Brasil. Vivenciamos em 27 de agosto o Dia do Psicólogo alusivo aos 54 anos de regulamentação da Ciência e Profissão LEI nº 4.119 de 27-08-1962 que dispõe sobre os cursos de formação em Psicologia e regulamenta a profissão de Psicólogo, atuamos em uma sociedade que caminha a pequenos e importantes passos para um melhor e maior percebimento da relevância da Psicologia em nosso País, sobrevivemos aos trancos e barrancos na ausência de direitos básicos ao exercício da nossa profissão de maneira digna.

 E foi dia desses, sendo plateia das cenas teatralizadas dos “representantes” políticos citados antes, que não pude deixar de me afetar com a maneira equivocada e desrespeitosa de senadores, com a população que padece de uma boa atenção preventiva à sua Saúde Mental, vivemos á beira das doenças mentais e assistindo as cruéis consequências do aumento delas. Os senhores políticos ao se compararem a “loucos”, apoiam-se na momentânea e conveniente insanidade, para não assumir o NÃO saber ou NÃO querer saber. 

Caberia a eles, ao invés do mau uso e da reprodução de estigmas, começarem a efetivar propostas reais de uma atenção a Saúde Mental qualitativa aos brasileiros (as) pacientes e usuários (as), além da valorização dos psicólogos (as) de maneira geral.

Numa perspectiva bem positiva, considero louvável a ação dos atletas brasileiros que destacaram em suas entrevistas a importância da preparação psicológica deles (as), em suas falas, onde mencionaram as vozes motivadoras dos psicólogos (as) que elevaram suas potencialidades, a compreensão de que o ouro de uma medalha tem tantas outras cores que não só do velho dourado, e que o primeiro lugar também está em outras posições de ranking. Não se trata de uma comparação entre fatos ocorridos o que digo aqui, mas de olhares. Este lado bom da moeda quebra os ciclos do NÃO poder, o NÃO vai ser possível, o NÃO dá, e alia-se a novas possibilidades.

Quando digo que o NÃO tem rótulos, é que o lado impositivo da palavra desagrega, o lado educativo soma, então aos que me leem, faço um convite para aumentarmos nossa plateia e mudar o tom dos NÃOS!


Para criar nosso costume, a vocês todo meu afeto expresso!

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

DEDICATÓRIA DAS BOAS VINDAS


Quero dedicar este texto, aos queridos e queridas que, me visitaram por aqui, aos que chegaram agora e aqueles que vão chegar; Pare um pouquinho esta leitura e vá até sua estante, ou em outro lugarzinho qualquer onde você guarda seus livros, pegue seu livro preferido (seja ele de mil novecentos e bolinhas ou o preferido dos últimos dias, meses) abra nas primeiras páginas, lá vocês vão encontrar a famosa Dedicatória, eu sou fascinada por elas; Há um ditado popular que diz: - Nunca julgue um livro pela capa, eu realmente não o faço (confesso que já fiz isso) hoje deixo as janelas e portas abertas para o que há de vir. Porém, desenvolvi outro hábito, costumo fazer duas coisas, antes de ler um livro: 

  • Coisa nº 01 ler a apresentação do autor/autora, e ;
  • Coisa nº 02 ler sua dedicatória;

Para mim, tudo ali escrito faz muito mais sentido depois destes dois movimentos, então,a dedicatória queridinha pela minha pessoa, é a do Livro Pequeno Príncipe, onde Antoine Saint Exupéry dedica a Leon Wert,[1] seu livro e corrigindo com muito zelo suas palavras ao final da dedicatória, pede perdão às crianças, por dedica-lo á um adulto.

(Só vou citar o finalzinho dela, com a certeza de que, quem não a conhece vai buscá-la na íntegra).

Foto: Arquivo pessoal
(...) Todas as pessoas grandes foram um dia crianças. (Mas poucas se lembram disso); Corrijo, portanto, a dedicatória: A Leon Werth (quando ele era pequenininho).


Só que este ritual que contei pra vocês, se dá apenas, quando  presenteio a mim mesma com um livro. Quando recebo livros de presente, ou tenho o privilégio de ter a dedicatória do próprio autor/autora, imediatamente busco o que foi escrito para mim, tenho cada uma linda, o que é de todo uma emoção danada e quando não tem dedicatória eu cobro!

Agora, imaginem a minha cara de alegria, com cada dedicatória de vocês através das demonstrações de carinho que recebi nas mensagens de incentivo, comentários em outras redes, as vibrações ao vivo e em cores, nas boas vindas do Afeto Expresso!!!

Foto/; Arquivo Pessoal
Dito isto, acho que o mínimo que posso fazer é dizer que, sem os olhos de vocês percorrendo as estradas das linhas digitadas neste Blog, nada do que digo trariam novos sentidos. E como diz Lenine, na letra de Castanho: “O que eu sou eu sou em par” [2] (...) quero em forma de puro agradecimento, abrir aqui uma janela de dizeres, tenho certeza que vamos ter lindas trocas;
       
Lembram que no começo deste post propus a busca por dedicatórias? Então, mandem pra mim a dedicatória que mais te afeta pode ter sido feita para você, ou aquela que você pensou: Bem que poderia ter sido escrita pra mim... (mas não foi), porém te definiu de cheio; E com sua preciosa permissão, vou organizar tudo e divulgar bem lindinha aqui, se quiser dizer por que ela é tão especial, fala!


Para criarmos nosso costume, a vocês todo meu Afeto Expresso!





[1]  A obra O Pequeno Príncipe é dedicada a ‘Léon Werth, quando era pequenino’.
Léon Werth foi escritor francês e crítico de arte. Conheceu Saint-Exupéry em 1931 em seu grupo de voo da Aeropostale, quando se tornaram grandes amigos e possuíam muitas características opostas. Léon Werth recebeu além da dedicatória de O Pequeno Príncipe, a dedicatória de Carta a um Refém.
[2] Castanho – composição Lenine e Carlos Posada, do álbum Carbono – 2015 pela Universal Music.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

MEUS TRÊS GATOS


Nise da Silveira (1905-1999) foi uma psiquiatra alagoana que se manifestou radicalmente contrária às formas agressivas de tratamentos psiquiátricos de sua época, é comumente recordada pelos psiquiatras, psicólogos e demais profissionais da saúde pelos seus feitos terapêuticos. Acreditava na capacidade da recuperação dos seus pacientes, através do cuidado, nas artes colocou para nós que na pintura e trabalhos com argila as pessoas com as quais cuidava poderiam expressar seus conflitos, alegrias e dores emocionais, este seu lindo legado resultou no Museu das Imagens do Inconsciente (mas isso é assunto para outro post).


Pois bem, foi observando uma de suas pacientes que Nise (olha só, quem se considera íntima) percebeu que os animais e principalmente os gatos, tinham a capacidade de afetar de maneira muito positiva seus pacientes. Se eu tivesse tido a chance conhece-la, sei que não falaria por muito tempo sobre sua construção teórica tão fantástica, eu simplesmente lhe falaria sobre gatos; trocaria histórias felinas sobre os seus e os meus três gatos, Nicole, Xano e Chico.


O papo com Nise seria igual aos que tenho com minhas amigas e amigos gateiras (os). Seria fantástico ter o prazer de papear com ela sobre suas inspirações para escrever seu livro [1]Gatos, a emoção de lidar.


Mas sei que eu e Nise, não tivemos e nunca teremos esta conversa real, mas para isso é que serve o imaginário e seria mais ou menos assim minha conversa com ela (...); 

Nise, se você tivesse visto como minha Nicole chegou. Resgatada de uma ninhada de filhotes abandonados próximos aos trilhos de uma desativada linha férrea , tão bebê que nem os olhinhos abriam, teve um quadro de infecção tão grave, mas, sua recuperação foi rápida, por causa do amor de seu irmão canino Bruce. Alimentada por uma seringa, a papinha de suplementos escorriam de sua boquinha formando um arco de leite e cereais, e aí vem a melhor parte, fazia parte deste ritual, encostarmos seu focinho com o focinho de Bruce e ele lhe enchia de lambeijos; olhando esta cena, eu e meu marido a apelidamos de “Nicolé o picolé de gato”, do início desta história até hoje, já se foram nove anos, deixa eu te mostrar a fotinha dela (linda né?) e até hoje ela enche nossos dias de amor, veja que o amor é cura para todo mal, mas isso você sabe melhor do que eu (risos);


Ah, você quer saber um pouco sobre Xano também; pois bem, quando eu cursava Psicologia isso em 2011, chegava sempre próximo as 23h00min e numa noite dessas, ao abrir o portão ouvi um miado que mais lembrava um grunhido estranho e rouco, investigando um pouco entre as plantas do jardim, vejo um gato com pelagem branca e marrom, muito magro e com olhos tão arregalados de medo e desconfiança que me cortaram o coração, então meu marido logo trouxe um punhado de comida e água limpa, (ele assim como eu ama os gatos), sim, continuando, como um bichinho recém-liberto de um cativeiro, o bichano se empanturrou rapidinho com a comida oferecida e fugiu, fiquei triste, mas quem ama felinos, sabe que  esta liberdade e independência é fascinante ( até Chico Buarque já falou sobre isso); e não é que para minha grata surpresa ele voltou no dia seguinte, e assim também no terceiro dia e no dia posterior. Era tão engraçado que o ponto alto do meu dia passou a ser a visita deste gato fujão (gargalhamos juntas), até que um dia, ele deixou de ser o bichano e passou a ser Xano, isso mesmo, Xano com X, isto é resquícios da geração do Xou da Xuxa, (risos).


Nise, você acredita que até hoje, Xano mora em nossa casa, mas só dorme fora (por que quer), se for trancado em casa ele dá um miado tão estranho que é melhor deixa-lo sair, mas, o que me emociona é que até hoje ele me espera no portão independente da hora que eu vá chegar, ele repete exatamente a cena de nosso primeiro encontro, sentado me olha, e depois me acompanha até a casa, entra pareando nossos passos, se alimenta, dorme, faz companhia, deixa que eu faça chameguinho e um tempo depois vai até a porta da sala, senta, olha para a maçaneta e pede miando para sair; Aprendo com Xano todo dia que amar é deixar o outro Ser,  porque amar é Ser inteiro. Owww Nise, a gente é besta né? (nos olhamos entre lágrimas e risos homogêneos);


Não tem aquele ditado que diz: Um é bom, dois é pouco e três é demais? Eu diria assim: Um gato é bom, dois é pouco e eu quero sempre mais um gato, (ria não, que o caso é sério). Depois de um hiato acho que de quase seis anos adotamos outro gatinho, e olha que eu tinha sempre o desejo de resgatar, adotar outro felino, mas a rotina da vida, trabalho, estudos, espaço e estrutura me afastavam da possibilidade.


Então, outro dia estava em casa sendo minha própria manicure numa manhã de domingo e batendo um papo com meu marido, daí, ouvimos juntos um miadinho desesperado, às vezes distante, outros momentos mais próximo, meu marido vai perseguindo o som e chega ao portão de casa e olhando em direção a praça defronte a nossa casa, vê um pontinho amarelo beirando o final da calçada e o começo da estrada, rapidinho ele saiu e resgatou o gatinho, faminto, cheio de pulgas, com a ponta da cauda enfestada  por uma micose horrível e olhos inflamados.
Após os primeiros cuidados emergenciais, ele já tinha nome, Chico, (porque Chico?) eu não sou devota de São Francisco de Assis, mas gosto de saber que sua representação Sacra é em partes caracterizada pela proteção aos animais abandonados, e também para homenagear Chico Science, criador do Movimento Mangue Beat, (daquela música que diz assim: “uma cerveja antes do almoço é muito bom pra ficar pensando melhor”, risos) então, este ano 016 seria seu cinquentenário, e o melhor é que ele tem cara de Chico (risos).

 Ele é meu galego, meu caçula e há seis meses morde, arranha minhas pernas, e me faz a companhia mais gostosa nos momentos que estou lendo, escrevendo, fazendo uma maquiagem ou escovando os cabelos, ele é curioso que só! Poxa Nise, foi tão gostoso compartilhar contigo um pouco da história dos meus três gatos, sabe, eu sei que sou uma humana melhor por causa deles.
 

[1] Gatos, a emoção de lidar – Nise da Silveira (1998) ,Leo Christiano, não há novas edições, houve apenas uma tiragem e os que o tem, tratam como preciosidade.

Oi! Sou Xano

                                                                   
                                                                                                       


                           Eu sou Nicole ou Nicolé
                              "picolé de gato"


E eu sou Chico!

A TUDO QUE NOS AFETA...


Há 03 anos, recebi minha primeira proposta de trabalho enquanto Psicóloga,  este trabalho era em uma cidade do interior de PE, há precisos 91 km de distância de onde resido na Região Metropolitana de Recife. Durante oito meses, por duas a três vezes por semana, eu percorria exatos 182 km de ônibus entre ida e volta, é claro que nestas viagens vivi muitas situações distintas, outras tão corriqueiras que até poderia presumir o que aconteceria em seguida.  

Ocorre, que sempre gosto de sentar ao lado da janela do ônibus, acredito que este é um hábito que muitas pessoas apreciam, cada um por suas razões. Já a minha especificamente é sempre a contemplação do cotidiano, a busca pelo não dito, por algo que chame minha atenção, a captura do efêmero, a sensação de identificação com o que vejo. 

É incrível como nossas projeções pela janela de um ônibus podem coincidir com uma música que escutamos  e nos levar além. Foi num desses dias, enquanto rolava Engenheiros do Hawai na minha playlist, o refrão de uma canção me chamou atenção naquele instante “O que faz as pessoas parecerem tão iguais? Porque razão essa igualdade se desfaz?” Aquilo me deu aquele estalo... Neste momento pensei preciso falar sobre isso, nasce então, a ideia de fazer um Blog e chamá-lo de Afeto Expresso. Esse desejo/ideia passou a morar em mim todo esse tempo, e só agora criei coragem para registrar minhas percepções diversas.

Rubem Alves, lindo ser humano, grande autor e Psicanalista já nos falava da importância da Escutatória, de forma muito bem humorada aponta para a enorme quantidade de cursos e aperfeiçoamentos para o exercício da oratória. 

Penso assim como Rubem Alves, aprendemos a falar bem e melhor, mas não aprimoramos a nossa capacidade de ouvir. Então, quero ouvir falando, prestando atenção no cotidiano que pode até ser clichê mas que é bom ser dito ouvido. 

Pois bem, a ideia das minha palavras ao encontrar com as de quem lê-las é refletir junto, isto é; nos afeta é importante ser dito!

Com todo afeto expresso, vamos!?